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A formação católica é essencial para o fiel viver bem a fé

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Formação

A Santa Quaresma

Episódio 2 - A Quarta-Feira de Cinzas: O início da Quaresma

A Quarta-Feira de Cinzas marca, para a Igreja, o início solene da Quaresma. Não é um dia comum no calendário cristão, mas um forte chamado à conversão. Ao receber as cinzas sobre a cabeça, o fiel escuta palavras que ecoam com seriedade: “Convertei-vos e crede no Evangelho” ou “Lembra-te de que és pó e ao pó hás de voltar”. Essas fórmulas resumem duas verdades fundamentais: nossa fragilidade e nossa responsabilidade diante de Deus.

As cinzas, obtidas da queima dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior, simbolizam a transitoriedade da vida humana. Elas nos recordam que tudo o que é terreno passa. Em uma cultura que exalta a aparência, o poder e o sucesso, a Igreja nos convida a contemplar a realidade última: somos criaturas, dependentes do Criador. Essa consciência não deve gerar desespero, mas humildade. Reconhecer-se pó é o primeiro passo para abrir-se à graça.

A Quarta-Feira de Cinzas é também dia de jejum e abstinência, conforme a disciplina da Igreja. Essas práticas não são meras obrigações externas, mas expressões concretas de penitência. O jejum educa o corpo; a abstinência recorda a necessidade de sacrifício. Ao privar-se voluntariamente de algo lícito, o cristão aprende a ordenar seus desejos e a fortalecer a vontade. Trata-se de um exercício espiritual que prepara o coração para um caminho mais profundo durante os quarenta dias que seguem.

Esse dia inaugura um tempo de combate espiritual. A liturgia assume um tom mais sóbrio; o roxo substitui cores festivas; o “Aleluia” silencia. A Igreja, como mãe e mestra, conduz seus filhos ao deserto com Cristo. Assim como o Senhor jejuou quarenta dias antes de iniciar sua missão pública, também nós somos convidados a enfrentar nossas tentações, fraquezas e pecados com coragem e confiança.

Entretanto, a Quarta-Feira de Cinzas não é um dia de tristeza estéril. É um dia de esperança. Ao reconhecer nossa miséria, abrimo-nos à misericórdia divina. Deus não despreza um coração arrependido. Pelo contrário, Ele o restaura. O início da Quaresma é, portanto, um convite à renovação interior, à reconciliação sacramental e a um compromisso mais autêntico com o Evangelho. Começa o caminho que culminará na alegria da Ressurreição.

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* Texto por Rayman Assunção

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