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Formação
A Santa Quaresma
Episódio 5 - Há quantos séculos a Igreja vive a Quaresma
A Quaresma é vivenciada pela Igreja há muitos séculos — desde os primeiros tempos do Cristianismo. Embora sua forma atual tenha sido consolidada progressivamente, suas raízes remontam aos séculos II e III, quando os cristãos já praticavam dias de jejum e preparação antes da celebração da Páscoa. Portanto, pode-se afirmar com segurança que a Quaresma é vivida pela Igreja há cerca de dezessete séculos, assumindo configuração mais estável a partir do século IV.
Nos primeiros séculos, a preparação para a Páscoa variava de duração conforme a região. Algumas comunidades jejuavam apenas dois ou três dias; outras estendiam esse período por uma semana inteira. Contudo, à medida que a Igreja amadurecia sua organização litúrgica, foi se consolidando a prática de quarenta dias de preparação, inspirada nos quarenta dias de Cristo no deserto. No Concílio de Niceia, em 325, já há referências claras a um tempo quaresmal estruturado, o que demonstra que, no século IV, a prática estava amplamente difundida.
O número quarenta possui profundo significado bíblico. Recorda os quarenta dias do dilúvio, os quarenta anos do povo de Israel no deserto, os quarenta dias de Moisés no Sinai e os quarenta dias de Elias em caminhada até o Horeb. Acima de tudo, remete aos quarenta dias de jejum de Nosso Senhor. Assim, a Igreja, desde os primeiros séculos, compreendeu que preparar-se para a Páscoa exigia um tempo simbólico e espiritual de purificação.
Inicialmente, a Quaresma tinha forte caráter catecumenal. Era o período em que aqueles que se preparavam para o Batismo — que seria recebido na Vigília Pascal — intensificavam sua formação e penitência. Ao mesmo tempo, os pecadores públicos realizavam atos de penitência antes de serem reconciliados. Com o passar dos séculos, toda a comunidade cristã passou a viver esse tempo de modo mais uniforme, assumindo-o como caminho anual de conversão.
A permanência da Quaresma ao longo de tantos séculos revela algo essencial: a Igreja, guiada pelo Espírito Santo, preserva aquilo que conduz à santidade. Não se trata de tradição meramente humana, mas de uma pedagogia espiritual que atravessa gerações. Durante quase dois milênios, incontáveis santos viveram esse tempo com seriedade, jejuando, rezando e praticando a caridade.
Assim, a Quaresma é uma herança viva da fé apostólica. Ela nos une aos cristãos dos primeiros séculos e nos recorda que a conversão não é moda passageira, mas exigência permanente do Evangelho.
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* Texto por Rayman Assunção

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