A formação católica é essencial para o fiel viver bem a fé

Formação
A Santa Quaresma
Episódio 1 - O que é a Quaresma
A Quaresma é o tempo forte de conversão da Igreja. Não é apenas uma tradição litúrgica ou um período simbólico no calendário: é um chamado concreto à mudança de vida. Durante quarenta dias, a Igreja nos conduz a um caminho espiritual que recorda os quarenta dias de Cristo no deserto, onde Ele jejuou, rezou e enfrentou as tentações antes de iniciar sua missão pública.
A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas, quando ouvimos palavras que ecoam como um despertar: “Convertei-vos e crede no Evangelho” ou “Lembra-te de que és pó e ao pó hás de voltar”. Essas expressões não são ameaças, mas convites à lucidez. Elas nos recordam nossa fragilidade e, ao mesmo tempo, nossa vocação eterna. Somos pó, sim — mas um pó amado por Deus, redimido pelo sangue de Cristo.
Tradicionalmente, a Igreja propõe três pilares para viver bem este tempo: oração, jejum e esmola. A oração nos reconecta com Deus e ordena nosso interior. O jejum disciplina o corpo e purifica os desejos, libertando-nos da escravidão dos excessos. A esmola dilata o coração, levando-nos a olhar para o próximo com caridade concreta. Esses três elementos não são práticas isoladas, mas dimensões de uma mesma conversão: voltar-se para Deus, dominar a si mesmo e amar o próximo.
A Quaresma não é um período de tristeza estéril. É um tempo de sobriedade fecunda. A Igreja veste-se de roxo, silencia o “Glória” e o “Aleluia”, não para sufocar a alegria, mas para prepará-la. Assim como o agricultor prepara a terra antes da colheita, a Quaresma prepara o coração para a maior solenidade do ano litúrgico: a Páscoa, celebração da Ressurreição do Senhor.
Mais do que cumprir práticas externas, a Quaresma exige verdade interior. Não basta jejuar de alimentos se não jejuamos do pecado. Não basta rezar fórmulas se o coração permanece endurecido. Não basta dar esmolas se não houver misericórdia sincera. O que Deus deseja é um coração contrito e humilde.
Portanto, a Quaresma é um caminho de retorno. É a oportunidade anual que a Igreja nos oferece para reordenar a vida, abandonar o que nos afasta de Deus e renovar nossa fidelidade. É tempo de combate espiritual, mas também de esperança. Porque ao final do deserto não está o vazio — está a Ressurreição.
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* Texto por Rayman Assunção

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